CONHECE AS RAZÕES DO RUI E VOTA LISTA A – ELEIÇÕES AO COJ

Caros e estimados colegas.

Sou o vosso colega Rui Vicente Martins que vos tecla desde Leiria e que atendeu ao repto que me foi proposto como sendo cabeça de lista por Coimbra da lista A às eleições que se avizinham para vogais do COJ. Esta lista é, desde já, um desviar de e renegar a velhos cânones impostos e implantados na realidade que é o COJ ao longo dos anos, na medida em que tem nas suas fileiras OJ´s que não sendo propriamente “verdes” na profissão, estão em categorias que representam a larga maioria dos Oficias de Justiça Portugueses, contrariamente à realidade a que temos assistido nas últimas décadas.

Inicialmente, senti-me relutante em abraçar este projecto, atendendo a que me encontro a meio de um mestrado, sou Pai de uma pequenota com 3 anos e – tal como todos vós – tenho as minhas regulares obrigações laborais como Oficial de Justiça. Contudo – após alguma ponderação – entendi que, sendo crítico a muita da forma de atuação do COJ em alguns aspetos (ou falta dela em outros), talvez fosse melhor – ao invés de simplesmente criticar – estar por “dentro” e tentar mudar o rumo às coisas.

Como muitos de nós, entendo que o COJ se auto-esvaziou de funções no tocante a muitos espetos que seriam da sua responsabilidade, estando actualmente apenas ligado a atos inspectivos e/ou disciplinares. Tal facto, trouxe a esta entidade ao longo dos anos, o estigma de algo que apenas existe para disciplinar/reprimir. Aliado aos constrangimentos orçamentais que congelaram a nossa carreira, as inspecções tornaram- se algo inócuo que mais reforçaram esse mesmo estigma no seio dos Oficias de Justiça Portugueses. Com a clara vontade política em normalizar as avaliações da função pública através do SIADAP, o COJ actual encontra-se numa encruzilhada pois a sua existência poderá em breve, estar em perigo. Tal facto deve-se a uma autofagia, total adormecimento desta entidade, que não acompanhou a realidade actual e permitiu que outros tomassem o seu lugar e funções na realidade dos Tribunais Portugueses. Refiro- me ao facto de entender que o COJ tem que ter uma palavra sobre a formação que é ministrada bem como um papel mais pedagógico na forma de trabalhar dos OJ´s. Afinal, não é COJ que inspecciona e avalia o trabalho do OJ´s? Se existe, não é do conhecimento da maioria que haja ligação entre esta entidade e outros órgãos decisores relativamente a estas matérias, pelo que uma outra postura mais aberta e mais transparente da atuação do COJ seria, decerto, mais apreciada pelos Oficiais de Justiça Portugueses. Através dos seus atos inspectivos, ninguém melhor que o COJ sabe onde estão as dificuldades no dia a dia dos OJ´s, nomeadamente as necessidades de formação, as necessidades de facilitação de procedimentos (onde para o Kaizen?), entre outras realidades.

Sou autor do primeiro estudo académico efectuado sobre os Oficias de Justiça Portugueses (com resultados alarmantes sobre a nossa realidade actual) e profundo conhecedor da realidade dos Tribunais, seja como OJ, seja a nível académico. Já percorri o globo inúmeras vezes em outras realidades e tenho perfeita noção do que são relações laborais, de liderança, conflitos interpessoais e organizacionais. Quem me conhece sabe que “não fico com elas por dizer” e abordo as situações de frente, sem “papas na língua”. É nesta e com esta postura que pretendo estar no COJ. Não para reprimir, não para castigar, mas sim para fazer perceber aos restantes ali presentes as mais variadas dificuldades por que passamos todos os dias nesta casa. Entendo também que os paradigmas mudaram e há que acompanhá-los. O bafio gravita em muitos dos pilares da instituição judiciária deste país, todos o sabemos, todos o sentimos, poucos falam disso, como se de um tabu se tratasse. Todos os dias praticamos atos de tramitação que não se compadecem com a realidade actual e que – por capricho de alguns e teimosia de outros
– afetam o nosso rendimento, o nosso bem-estar laboral (sim, isso existe em outras realidades), e dificultam a nossa função que é, acima de tudo, servir o cidadão com celeridade e eficácia.

Quando novos, pensamos ser capazes de mudar o universo ou pelo menos, o mundo. Mais tarde, já nos contentávamos em mudar o país no que está errado. E mais tarde ainda, a vida leva-nos a pensar que temos que ir na corrente, como os outros. Até que nos surgem efectivas oportunidades de mudar o que nos rodeia e afeta a nossa vida diariamente. A escolha é fácil…ou nos limitamos a criticar o status quo, ou vamos à luta e dizemos PRESENTE!!!
O teu voto na lista A será a tua forma de gritar PRESENTE, também !!!

Atenciosamente do vosso colega, Rui V. Martins
Escrivão Auxiliar na Comarca de Leiria.

Últimas Noticias